Há 27 anos, o Instituto Ronald McDonald contribui para transformar a realidade do câncer infantojuvenil no Brasil. Desde o dia 15 de maio, a organização inicia o maior movimento de evolução de sua história. A partir de agora, passa a se chamar Casa Ronald McDonald Brasil. A mudança representa não apenas uma nova identidade institucional, mas também uma ampliação estratégica de sua atuação na saúde infantojuvenil. O movimento acompanha uma diretriz global da Ronald McDonald House e reforça uma visão de cuidado mais ampla, integrada e centrada nas famílias.
Mais do que atuar exclusivamente na oncologia pediátrica, a organização amplia seu olhar para diferentes jornadas de saúde que exigem acompanhamento contínuo, acolhimento e suporte familiar. A nova fase nasce de um entendimento que ganha força nos grandes debates globais sobre saúde: quando uma criança adoece, toda a família também entra em tratamento.
A mudança, no entanto, não representa um afastamento da causa oncológica. Pelo contrário. O câncer infantojuvenil segue como prioridade da organização em um país onde a doença ainda é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes.
“Existe uma pergunta que começou a guiar todas as nossas decisões nos últimos anos: quem cuida de quem cuida? Quando uma criança enfrenta uma doença grave, toda a família é atravessada por essa jornada. Mães deixam empregos, pais abandonam rotinas, irmãos mudam completamente suas vidas e muitas famílias passam a viver entre hospitais, estradas e incertezas”, afirma Bianca Provedel, CEO da Casa Ronald McDonald Brasil.
“Seguiremos tendo o câncer infantojuvenil como prioridade absoluta, mas queremos ampliar nossa capacidade de cuidado e expandir toda a expertise construída ao longo de 27 anos para apoiar ainda mais famílias em jornadas complexas de saúde”, completa.
A mudança acontece após um ciclo de forte expansão institucional. Ao longo de 27 anos, a organização investiu mais de R$ 445 milhões em saúde infantojuvenil, impactando diretamente mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes em todo o país. Nesse período, apoiou mais de 2 mil projetos em 111 instituições brasileiras e treinou mais de 50 mil profissionais e estudantes da saúde em diagnóstico precoce.
Somente no último ano, mais de 104 mil hospedagens foram realizadas pelo Programa Casa Ronald McDonald. Dados internos da organização também mostram a profundidade dessa jornada: 73,1% das famílias acolhidas vivem com renda de até um salário mínimo, enquanto mais da metade dos hóspedes já precisou utilizar o programa seis vezes ou mais durante o tratamento das crianças.
Além disso, 98,3% das famílias afirmam que indicariam o programa para outras pessoas, e 92% relatam sentir acolhimento por parte das equipes e colaboradores da rede.
Agora, o objetivo é ampliar ainda mais o alcance da atuação e consolidar a organização como uma das principais redes de apoio à saúde pediátrica no Brasil.

Uma nova visão sobre o cuidado
A mudança de marca nasce de uma transformação mais profunda: a evolução da própria missão institucional.
Historicamente reconhecida pelo trabalho desenvolvido na oncologia pediátrica, a organização passa a fortalecer um conceito de cuidado integral, olhando não apenas para o tratamento médico, mas também para todas as barreiras que impactam a recuperação de crianças, adolescentes e suas famílias.
“Durante muito tempo, o debate sobre saúde ficou concentrado apenas no tratamento clínico. Mas nenhuma criança consegue atravessar uma jornada difícil de saúde sozinha. Existe uma família sustentando emocional, financeira e fisicamente aquele tratamento todos os dias. E, quando essa família não tem suporte, o impacto chega diretamente ao cuidado e às chances de recuperação”, afirma Bianca.
“Nosso trabalho passa a olhar ainda mais para permanência no tratamento, saúde emocional, dignidade, estrutura e acolhimento. Porque cuidar da família também é uma estratégia concreta de cuidado em saúde pediátrica”, completa.
Segundo a CEO, a mudança acompanha um movimento global de organizações de saúde que passaram a compreender a família como parte central dos desfechos clínicos e da recuperação das crianças.
“Excelência em saúde também se constrói quando uma família consegue permanecer perto do filho durante um tratamento longo, quando tem acolhimento, descanso e condições mínimas para atravessar aquele processo com dignidade. Esse é o conceito de cuidado que queremos ajudar a fortalecer no Brasil”, diz.
A ampliação da atuação para outras patologias já começou a acontecer na prática em algumas unidades da rede. As unidades do Programa Casa Ronald McDonald de Campinas e de Jaú, por exemplo, já acolhem famílias de crianças em tratamento de outras condições complexas de saúde, como fissura labiopalatina e malformações craniofaciais.
Além disso, os 11 espaços do Programa Espaço da Família espalhados pelo país também apoiam famílias que enfrentam diferentes jornadas de cuidado pediátrico dentro de hospitais.
A nova marca chega justamente para consolidar institucionalmente um movimento que já vinha acontecendo dentro da própria operação.
Saúde, impacto social e expansão
A mudança também marca um novo posicionamento institucional da organização, que passa a fortalecer sua presença nos debates sobre saúde pública, desigualdade de acesso e políticas de cuidado infantojuvenil.
Hoje, a rede mantém atuação nacional por meio de projetos, programas e instituições apoiadas em todas as regiões brasileiras. Para Bianca, a nova marca também representa uma oportunidade de ampliar a compreensão da sociedade sobre o impacto do cuidado familiar na recuperação de crianças e adolescentes.
“Queremos que a sociedade entenda que acolhimento também é cuidado em saúde. Permanência no tratamento também é cuidado em saúde. Apoio emocional também é cuidado em saúde. O futuro da saúde pediátrica passa, necessariamente, pelo fortalecimento das famílias”, afirma.
A expectativa da organização é fortalecer ainda mais sua capacidade de mobilização social, ampliar parcerias e acelerar projetos de expansão nos próximos anos.
“Comunicar melhor não é estética. É impacto social. Quando a sociedade entende a dimensão de uma causa, ela se mobiliza”, diz Bianca.
Mais do que uma mudança de nome
“Estou muito feliz por ter sido escolhido para apresentar essa noite tão especial e simbólica para a Casa Ronald McDonald Brasil. Fazer parte de um movimento global como esse, de uma instituição que tanto impacta e acolhe famílias pelo mundo afora, é emocionante demais. Aliás, para quem já teve a oportunidade de viver tantas emoções ao lado da família McDonald’s, esse momento faz meu coração palpitar ainda mais forte. Essa casa, que tem sabor de Big Mac e solidariedade, abre um novo ciclo de sua existência. E que bom estar ali, para poder dizer, de peito aberto, que eu amo muito tudo isso.” Afirma Otaviano Costa, ator, apresentador e mestre de cerimônia
A nova marca simboliza uma mudança de escala, visão e ambição institucional.
“Não estamos mudando apenas a forma como nos apresentamos. Estamos deixando mais claro o tamanho da missão que queremos cumprir daqui para frente. Queremos ampliar o acesso, fortalecer famílias e expandir uma rede de cuidado que o Brasil ainda precisa construir”, afirma Bianca.
Depois de 27 anos ajudando a transformar a história da oncologia pediátrica no Brasil, a Casa Ronald McDonald Brasil inicia agora um novo capítulo.
Um capítulo em que o cuidado deixa de olhar apenas para a doença.
E passa a olhar, de forma definitiva, para toda a família.
